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Nossa História

História do Educandário Nossa Senhora Aparecida

No ano de 1959, mais precisamente no dia 25 de janeiro, às 17 horas, nas dependências da Igreja Matriz de Santo Antonio, graças à determinação de um homem chamado Padre Mateus Ruiz Domingues e ao interesse de um grupo de pessoas voltadas aos trabalhos comunitários e sedentas do desejo de servir ao próximo, nascia uma das mais tradicionais instituições assistenciais de nossa cidade, o Educandário Nossa Senhora Aparecida, que receberia este nome, segundo seu fundador, em homenagem à Padroeira do Brasil.
Na sequência da reunião para a fundação desta casa de assistência ao menor, foi eleita e declarada empossada pelo Assistente Eclesiástico Padre Mateus Ruiz Domingues, a primeira diretoria que ficou formada por José Caio como Provedor e Antonio Setti como Vice-provedor Como primeiro e segundo secretários Wanderley Zázera e Octávio Boretti, respectivamente. Eduardo Gramani foi eleito como primeiro tesoureiro e Flávio Zacchi o segundo.
Após a fundação, os trabalhos começaram a ser executados com um número inicial de nove internos em um prédio improvisado num local que, coincidentemente levava o mesmo nome da instituição ora fundada, e era conhecido como Chácara N. S. Aparecida, de propriedade do Sr José Caio, e se localizava no Bairro do Cubatão, na atual Rua Deodato Cintra nº 257.
A inauguração deste local ocorreu no dia 31 de janeiro de 1960, às 15 horas com a presença de autoridades civis e religiosas e de grande número de pessoas que compareceram a fim de hipotecar sua solidariedade àquela obra de grande alcance social e religioso. Estava presente também a corporação musical “Banda Lira Itapirense” que magistralmente executou o hino nacional abrilhantando a abertura da cerimônia que ocorria naquela tarde de domingo. Encerrado o cerimonial aconteceu um grandioso leilão com prendas gentilmente ofertadas pela população a fim de angariar fundos à instituição recém inaugurada, “cuja animação e entusiasmo se prolongaram até a noite, dentro da mais perfeita ordem e cordialidade”, finalizava a ata de inauguração.
Tanto meninos órfãos como aqueles que estavam sem a possibilidade de ter um lar, mesmo tendo família, passaram a ser acolhidos e tratados com a dignidade e o respeito que todo ser humano merece. Diretores, funcionários e voluntários empenhados em assegurar àqueles garotos desvalidos um pouco de amor e carinho não mediam esforços em busca de seus ideais.
O primeiro casal a se dedicar em tempo integral aos cuidados desses menores era formado pelo Sr Antonio Rodrigues e sua esposa dona Joana Albina Rodrigues, que não possuindo filhos, fixaram residência na casa em que foi instalado o Educandário para educar e cuidar dos meninos como seus. Ela, hoje aos 77 anos, em pleno vigor físico e de lucidez, relembra todos os acontecimentos da época, inclusive os nomes dos primeiros moradores que com ela residiram. Recorda os momentos difíceis pelos quais passaram chegando ao ponto de se utilizarem do próprio salário para ajudar na alimentação dos internos. Cita com ternura o carinho que recebia de crianças abandonadas à sorte e que nela puderam encontrar o conforto de um colo materno.

Sede Definitiva:

“Aos trinta dias do mês de setembro de mil novecentos e sessenta e dois (30/09/1962), nesta cidade de Itapira…”. Assim tem início a ata das solenidades de inauguração da sede oficial do Educandário Nossa Senhora Aparecida que ficava no final da Rua da Penha, em terreno de 17 alqueires chamado de fazendinha, onde o saudoso fundador, Padre Matheus Ruiz Domingues, sonhava instalar uma escola agrícola para instrução dos internos do orfanato. Estiveram presentes, o Secretário de Saúde e Assistência Social, Dr. Waldir da Silva Prado, Dr. Mário Altenfelder Silva, Diretor do Serviço Social de Menores, Monsenhor Rafael Roldão, representante da Cúria Metropolitana, Dr. Márcio Martins Ferreira, Desembargador do Tribunal de São Paulo, Dr. Jurandyr Nilsson, M.M. Juiz de Direito da Comarca de Itapira, Sr Antonio Caio, Prefeito Municipal dentre tantas outras autoridades e grande número de populares fiéis colaboradores da magnífica obra. Utilizaram-se da palavra o membro da diretoria Flávio Zacchi, fazendo uma explanação histórica do Educandário, o Provedor José Caio e o Assistente Eclesiástico e fundador Padre Matheus Ruiz Domingues. A cerimônia foi encerrada com a celebração da Santa Missa pelo Monsenhor Rafael Roldão
Neste tempo o Educandário era quase que auto-suficiente em sua manutenção. A criação de animais domésticos aliada ao plantio de gêneros alimentícios garantia aos meninos a alimentação diária. A disciplina era rigorosamente observada e os horários seguidos à risca. Os internos freqüentavam regularmente a escola no período da manhã, trabalhavam cuidando dos animais e das plantações durante a tarde e, ao anoitecer recebiam educação religiosa que era tida como o norte para a orientação de vida daqueles que, por ela, haviam sido marginalizados. Aos domingos, pela manhã, logo cedinho às 06 horas, dirigiam-se até a Igreja Santo Antonio para participarem da santa missa e à tarde, após o almoço, às 14 horas, retornavam á igreja para freqüentar o catecismo.
Ainda aos domingos, no intervalo entre o horário da missa e do almoço os meninos recebiam a visita de parentes, amigos e de pessoas que muito solidariamente até lá se dirigiam, embora não houvesse nenhum seu ente querido morando no orfanato. Praticavam essa generosidade levando um pouco de afeto até aqueles que não dispunham de um apoio familiar.
Histórias não faltam por parte de ex-internos que hoje são pessoas bem sucedidas, formaram suas famílias e dentro de seus lares aplicam as orientações recebidas dos que, dedicando boa parte de suas vidas em atenção àqueles menores, não mediram esforços para ver esta obra concretizada.
Muitos que já partiram deixando saudade nos corações dos que com eles conviveram, certamente hoje estão em paz com a consciência de que, em vida, doaram-se por pessoas carentes às quais o pouco que era feito podia render uma enorme felicidade. Assim, puderam compartilhar e ver realizado o grande sonho do batalhador e saudoso Padre Mateus Ruiz Domingues.
Autor: Paulo Mitestainer

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Padre Mateus Ruiz Domingues

Padre Mateus Ruiz Domingues chegou a Itapira na década de 50. Nasceu em 31 de dezembro de 1913 na cidade de Polopus, Espanha e faleceu em Itapira em 20 de Setembro de 1973. Recebeu o nome na pia batismal de Mateus Silvestre. Aos 8 anos de idade veio para o Brasil na companhia da família passando a residir na fazenda Itaqueri, SP, em 1922. Dedicou-se à lavoura sendo também aprendiz de funileiro na Oficina de uma indústria de açúcar. Com 18 anos, ingressou no Seminário menor de Campinas, tendo concluído aí em 1933 o curso colegial. Em 1939, ingressou no Seminário Ipiranga, na capital. Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1945, pelo saudoso Dom Tarso Campos em cerimônia celebrada na Catedral daquela cidade. Iniciou seu ministério sacerdotal como coadjutor do Monsenhor Lisboa em Amparo até 1946. Em 1949 foi nomeado Vigário em Lindóia. A seguir foi designado Professor do Seminário e Diretor de Disciplina, onde permaneceu durante oito anos. A 31 de agosto de 1958 foi nomeado 1º Vigário da recém criada Paróquia Santo Antônio.

Há 11 de março de 1965 foi naturalizado cidadão Brasileiro. No dia 24 de julho de 1968 foi elevado à categoria de Cônego do Cabido Metropolitano de Campinas, honraria que mui justamente lhe foi conferida por Dom Paulo de Tarso Campos, como público merecimento de seus altos méritos. Suas obras foram inúmeras: implantou o Educandário Nossa Senhora Aparecida com seus 14 alqueires de terra, abrigando par mais de 60 meninos; a Escola Paroquial com 8 salas de aulas, biblioteca, secretaria e sala para jogos de raciocínio; o salão social para reuniões e festividades da paróquia, encerramento de cursos, etc. E especialmente construiu a nova Igreja de Santo Antonio cuja vontade idealizadora e muita fé aí está sobrepujando o tempo e conferindo à posteridade tão magnífica obra artística e histórica. Muito trabalho, muita fé e muito ideal fizeram desse batalhador das causas sociais um partícipe das obras concordantes com os planos divinos. Foi um grande coração que carinhoso que sabia afagar as crianças, que incansável frente as atribulações diuturnas predispunha-se a ajudar sempre e caridoso nos seus objetivos mais prementes, ansiava por dar direção às almas necessitadas.
O Pe. Mateus Ruiz Domingues faleceu em 29 de setembro de 1973.